aderi ao mundo do twitter.
confesso que ainda estou me batendo por lá... aqui ainda é mais fácil.
no mais é interessante restringir a fala a 140 caracteres...
como ninguém me lê aqui mesmo, ilusão minha achar que alguém me lê se eu não divulgo mais esse espaço como antes...quem sabe por lá...reduzindo as palavras as pessoas possam de alguma forma interagir melhor com a minha pessoa.
elo quebrado...destino rompido.
cruz em meio a redenção.
abro os abraços, sinto o vento me cortar o rosto, dessarumar os cabelos...esvair meus sonhos.
e embora digam que há luz na escuridão, sinto aqui dentro do peito um bréu bater em vão.
não quero ter..quero ser parte indissolúvel do teu ser.
grudarme por entre os poros, transpirar na tua pela as minhas lágrimas.
beijar-te a boca, aninhar-me em teu colo...como uma criança carente, como alguém sedento de amor.
e se não for, que seja dito agora.
porque do tempo espero...será que voltas?
cruz em meio a redenção.
abro os abraços, sinto o vento me cortar o rosto, dessarumar os cabelos...esvair meus sonhos.
e embora digam que há luz na escuridão, sinto aqui dentro do peito um bréu bater em vão.
não quero ter..quero ser parte indissolúvel do teu ser.
grudarme por entre os poros, transpirar na tua pela as minhas lágrimas.
beijar-te a boca, aninhar-me em teu colo...como uma criança carente, como alguém sedento de amor.
e se não for, que seja dito agora.
porque do tempo espero...será que voltas?
tempo...
o que quer de mim?
condenar-me ou render-me?
tempo...
meu martírio meu algoz.
meu santo salvador.
tempo...
o que esperas de mim?
lágrimas de contento ou sorrisos falsos pra enganar a solidão.
tempo...
sei que estás em mim.
há tanto amor em mim como um quebranto..
tanto amor e em ti nem tanto.
o que quer de mim?
condenar-me ou render-me?
tempo...
meu martírio meu algoz.
meu santo salvador.
tempo...
o que esperas de mim?
lágrimas de contento ou sorrisos falsos pra enganar a solidão.
tempo...
sei que estás em mim.
há tanto amor em mim como um quebranto..
tanto amor e em ti nem tanto.
não quero andar em nuvens, prefiro manter os pés no chão.
como se preciso fosse centrar-me.
os pensamentos divagam com a transitóriedade dos momentos.
certezas faltam, questionamentos sobram..insisto em entender silêncios.
tocar o intangível, sentir uma ilusão..será possivel entender o que te toca o coração?
nas incertezas dessa vida...
nos questionamentos sem razão..
porque será que insistimos tanto em buscar uma solução?
invejo aqueles que sábios conseguem entender as entrelinhas dos olhares, a mistica por trás dos atos..a frieza da lógica e a loucura dos apaixonados.
como se preciso fosse centrar-me.
os pensamentos divagam com a transitóriedade dos momentos.
certezas faltam, questionamentos sobram..insisto em entender silêncios.
tocar o intangível, sentir uma ilusão..será possivel entender o que te toca o coração?
nas incertezas dessa vida...
nos questionamentos sem razão..
porque será que insistimos tanto em buscar uma solução?
invejo aqueles que sábios conseguem entender as entrelinhas dos olhares, a mistica por trás dos atos..a frieza da lógica e a loucura dos apaixonados.
ainda insisto
as vezes até repito
os erros que jurei acabar.
meu ato falho
não há reparo...
preciso andar
poor entre as soleiras
por entre as beiras,
sem rumo nem eira.
o que trago aqui
tudo que vivi
não quero crer que foi em vão.
mas me deparo,
novamente com uma ilusão.
se vai doer.
se vou querer
sentir, agir, me expor
será que é certo...camuflar todo esse amor?
as vezes até repito
os erros que jurei acabar.
meu ato falho
não há reparo...
preciso andar
poor entre as soleiras
por entre as beiras,
sem rumo nem eira.
o que trago aqui
tudo que vivi
não quero crer que foi em vão.
mas me deparo,
novamente com uma ilusão.
se vai doer.
se vou querer
sentir, agir, me expor
será que é certo...camuflar todo esse amor?
te adoro em tudo...
plagiando Djavan...transcrevo aqui esse pequeno trecho da música...
te adoro em tudo:
as tuas meias verdades,
os teus olhos,
os momentos em que calas,
o seu modo de vestir,
tua frieza,
teus problemas,
suas mentiras,
seus sonhos,
suas ilusões
seu amor fingido,
seu gostar,
.... o que mais poderia adorar?
se te adoro em tudo?
e não vês, porque não queres...
porque esta na minha cara, no meu corpo e em todos os meus atos...
qualquer um percebes..qualquer um vê.
menos você.
...
recolho-me, assumo a posição de ter um amor utopico..meu e de mais ninguém!
e vou viver...o que o destino traiçoeiro reservou pra mim..te adorar em tudo...mas de longe!
te adoro em tudo:
as tuas meias verdades,
os teus olhos,
os momentos em que calas,
o seu modo de vestir,
tua frieza,
teus problemas,
suas mentiras,
seus sonhos,
suas ilusões
seu amor fingido,
seu gostar,
.... o que mais poderia adorar?
se te adoro em tudo?
e não vês, porque não queres...
porque esta na minha cara, no meu corpo e em todos os meus atos...
qualquer um percebes..qualquer um vê.
menos você.
...
recolho-me, assumo a posição de ter um amor utopico..meu e de mais ninguém!
e vou viver...o que o destino traiçoeiro reservou pra mim..te adorar em tudo...mas de longe!
a ferida sara..as cicatrizes ficam..como lembranças de um tempo.
como marcas eternas na pele, como uma espinha que um dia volta a inflamar.
das marcas que trago em meu corpo, apenas doem aquelas mais recentes...porque
o tempo ainda não pousou sobre elas sua mão ferroz..marcando-as em mim.
as feridas ainda estão abertas...a pele ainda não cicatrizou...
a cabeça pira...as dúvidas invadem como nuvens carregadas cobrem o céu anunciando tempestades.
o coração...aquece...amolece...te convida a co-habitar o espaço que é seu.
o corpo implora...a pele explora..a boca espera..um beijo seu.
só não demores a voltar!
como marcas eternas na pele, como uma espinha que um dia volta a inflamar.
das marcas que trago em meu corpo, apenas doem aquelas mais recentes...porque
o tempo ainda não pousou sobre elas sua mão ferroz..marcando-as em mim.
as feridas ainda estão abertas...a pele ainda não cicatrizou...
a cabeça pira...as dúvidas invadem como nuvens carregadas cobrem o céu anunciando tempestades.
o coração...aquece...amolece...te convida a co-habitar o espaço que é seu.
o corpo implora...a pele explora..a boca espera..um beijo seu.
só não demores a voltar!
e a vida segue...
por entre caminhos tortos e eu insistindo em andar pela tangente.
o corpo que segue, a alma que acompanha..o vazio que invade.
a solidão vez por outra é a companheira de jornada.
...
entre um passo e outro, as pedras soltas são elevadas ao espaço
como quem pede e clama dos céus proteção.
...
entre olho-me como quem quer dizer a si mesmo que por mais que o tempo
seja castrador ao final será seu redentor.
...
entre a vida, entre um passo e outro, entre olhar- me sigo...
na direção que os meus pés me levem.
por entre caminhos tortos e eu insistindo em andar pela tangente.
o corpo que segue, a alma que acompanha..o vazio que invade.
a solidão vez por outra é a companheira de jornada.
...
entre um passo e outro, as pedras soltas são elevadas ao espaço
como quem pede e clama dos céus proteção.
...
entre olho-me como quem quer dizer a si mesmo que por mais que o tempo
seja castrador ao final será seu redentor.
...
entre a vida, entre um passo e outro, entre olhar- me sigo...
na direção que os meus pés me levem.
hoje percebi o quanto somos escravos de nós mesmos.
esperamos o celular tocar, esperamos emails, torpedos, msn...estamos sempre nessa procura enorme de que as pessoas nos procurem.
somos escravos de nós quando projetamos no outro a nossa felicidade.
e isso não é algo exclusivo daqueles que estão namorando ou em vias de...mas de todos nós mesmos.
o celular não tocar é um dia perdido...um email que não se recebe é a certeza de que ninguém pensa em você...
será que é preciso mesmo viver nessa escravidão massoquista de nós mesmos?
porque não podemos, simplesmente, viver com a certeza de quem nem sempre o seu celular vai tocar, nem sempre a sua caixa de email vai estar lotada (a não ser dos spans que recebemos aos montes) e que essas duas situações não provam que alguém lá fora nesse exato minuto não está pensando em você.
eu..penso em mim e isso por si só já me basta.
esperamos o celular tocar, esperamos emails, torpedos, msn...estamos sempre nessa procura enorme de que as pessoas nos procurem.
somos escravos de nós quando projetamos no outro a nossa felicidade.
e isso não é algo exclusivo daqueles que estão namorando ou em vias de...mas de todos nós mesmos.
o celular não tocar é um dia perdido...um email que não se recebe é a certeza de que ninguém pensa em você...
será que é preciso mesmo viver nessa escravidão massoquista de nós mesmos?
porque não podemos, simplesmente, viver com a certeza de quem nem sempre o seu celular vai tocar, nem sempre a sua caixa de email vai estar lotada (a não ser dos spans que recebemos aos montes) e que essas duas situações não provam que alguém lá fora nesse exato minuto não está pensando em você.
eu..penso em mim e isso por si só já me basta.
...quem será que vai ganhar, no jogo que iniciamos?
achas mesmos que consegues me enganar e até mesmo me fazer acreditar nas meias verdades que diz..como quem não quer admitir o que você ja sabe.
e eu sei, e finjo que não..e vou levando como alguém que se deixa levar ..
e finjo que não sei..o que tentas fazer e por acreditar porque ainda sou aquela que ama...será que podes mesmo me enganar?
ou sou eu quem te engana?
e sinto e sei o que sou..e posso provar tantas quantas vezes quiseres o meu amor..e tu
será que entendes?
sigo, espero, finjo, acredito, realizo...e admito: amo e já não sei o quanto...mas não quero sentir isso.
achas mesmos que consegues me enganar e até mesmo me fazer acreditar nas meias verdades que diz..como quem não quer admitir o que você ja sabe.
e eu sei, e finjo que não..e vou levando como alguém que se deixa levar ..
e finjo que não sei..o que tentas fazer e por acreditar porque ainda sou aquela que ama...será que podes mesmo me enganar?
ou sou eu quem te engana?
e sinto e sei o que sou..e posso provar tantas quantas vezes quiseres o meu amor..e tu
será que entendes?
sigo, espero, finjo, acredito, realizo...e admito: amo e já não sei o quanto...mas não quero sentir isso.
nos teus olhos me vi refletida, como uma imagem opaca e sem vida.
onde andam os brilhos dos olhos teus, será que ainda virão a brilhar quando encontrar os meus?
olho nos teus olhos e sei o que me escondes...o que me nega veementemente a revelar.
seus olhos,parte essencial de você, parte reveladora de você..parte que te traí sem mesmo você saber.
não negues...o que vês..percebes que sei...
sabes o que que digo e que sempre te direi...
que os teus olhos jamais me negam as verdades que me ocultas em dizer.
onde andam os brilhos dos olhos teus, será que ainda virão a brilhar quando encontrar os meus?
olho nos teus olhos e sei o que me escondes...o que me nega veementemente a revelar.
seus olhos,parte essencial de você, parte reveladora de você..parte que te traí sem mesmo você saber.
não negues...o que vês..percebes que sei...
sabes o que que digo e que sempre te direi...
que os teus olhos jamais me negam as verdades que me ocultas em dizer.
eu confesso, que jamais pensei em te dizer não.
e como o fato de o fazer me doía.
talvez tenha sido esta a razão de dizertes mais sins que nãos.
se foi meu erro ou me acerto, minha salvação ou meu algoz...wathever.
não viverei para sempre condenando-me por algo que não sei se fiz..ou se fui obrigada a fazer.
os dias passam, as noites passam..os exageros vêm...as horas intermiáveis dos meus dias...preenchem a minha estranha agonia.
e mesmo que preciso fosse..largar tudo...eu faria...
bastava ter a certeza de que tudo isso acabaria.
e se acabasse agora?
e tudo isso aqui dentro fosse embora?
será que eu voltaria para mim mesma?
e como o fato de o fazer me doía.
talvez tenha sido esta a razão de dizertes mais sins que nãos.
se foi meu erro ou me acerto, minha salvação ou meu algoz...wathever.
não viverei para sempre condenando-me por algo que não sei se fiz..ou se fui obrigada a fazer.
os dias passam, as noites passam..os exageros vêm...as horas intermiáveis dos meus dias...preenchem a minha estranha agonia.
e mesmo que preciso fosse..largar tudo...eu faria...
bastava ter a certeza de que tudo isso acabaria.
e se acabasse agora?
e tudo isso aqui dentro fosse embora?
será que eu voltaria para mim mesma?
Haverá um tempo, ainda que distante, em que as lágrimas não mais cairão...
em que os cacos da nossa história estarão transformados em pó, onde o desejo jazerá em paz.
Não semearei discórdia pois não quero colher o amargo do seu gosto,
mas também não negarei a minha espada para o combate ardente.
Não posso e nem vou me fazer ausente de tudo aquilo que o destino, ou a fatalidade me reservou.
Apenas quero lançar meu corpo, oras inerte oras ardente...nos multifacetados sentimentos que despertam entre sorrisos e lágrimas..como se deles o elixir fosse salvação.
...verboragia antropologica dos meus dias e dos meus pensamentos...a quem por vezes me entrego e por vezes me condeno..da insistência de não querer livra-me de ti.
em que os cacos da nossa história estarão transformados em pó, onde o desejo jazerá em paz.
Não semearei discórdia pois não quero colher o amargo do seu gosto,
mas também não negarei a minha espada para o combate ardente.
Não posso e nem vou me fazer ausente de tudo aquilo que o destino, ou a fatalidade me reservou.
Apenas quero lançar meu corpo, oras inerte oras ardente...nos multifacetados sentimentos que despertam entre sorrisos e lágrimas..como se deles o elixir fosse salvação.
...verboragia antropologica dos meus dias e dos meus pensamentos...a quem por vezes me entrego e por vezes me condeno..da insistência de não querer livra-me de ti.
vagas...
por entre brumas e ventos.
vagas...
nessa espera louca dos teus pensamentos.
vagas...
como se não tivesse mais para onde voltar.
por entre brumas e ventos.
vagas...
nessa espera louca dos teus pensamentos.
vagas...
como se não tivesse mais para onde voltar.
E hoje sei, das dores,dos amores e dos odores...
e não existe fuga..há de sentir.
as horas, os momentos se encarregam de levar e de lembrar...os sentidos, sentimentos e tormentos que insistem em invadir.
mas é preciso abrir as portas para o novo..deixar o velho sair, varrer a poeira...
é..
fato.
sigo tateando no escuro..por algo que me remeta a luz.
e não existe fuga..há de sentir.
as horas, os momentos se encarregam de levar e de lembrar...os sentidos, sentimentos e tormentos que insistem em invadir.
mas é preciso abrir as portas para o novo..deixar o velho sair, varrer a poeira...
é..
fato.
sigo tateando no escuro..por algo que me remeta a luz.
...ainda envolta em silêncios e mágoas.
o coração pede, a razão condena, a voz cala.
os companheiros de silêncio: café e cigarros.
o violão encostado, as cordas novas, a seleção de música refletem o momento atual.
o dedilhado, o ouvir dos acordes...o som: ..leva o que há de ti que a saudade é o pior castigo...!
as lágrimas que rolam, a alma gélida...o frio que corta.
existe vida, lá fora eu sei..mas daqui do alto onde me encontro vislumbro os pedaços partidos e quase colados do que chamo de vida.
é uma fase..repito pra mim milhões de vezes, doí mas vai passar...
ainda espero que seja breve e que se não for que seja pelo menos serena.
o coração pede, a razão condena, a voz cala.
os companheiros de silêncio: café e cigarros.
o violão encostado, as cordas novas, a seleção de música refletem o momento atual.
o dedilhado, o ouvir dos acordes...o som: ..leva o que há de ti que a saudade é o pior castigo...!
as lágrimas que rolam, a alma gélida...o frio que corta.
existe vida, lá fora eu sei..mas daqui do alto onde me encontro vislumbro os pedaços partidos e quase colados do que chamo de vida.
é uma fase..repito pra mim milhões de vezes, doí mas vai passar...
ainda espero que seja breve e que se não for que seja pelo menos serena.
lutei para não entrar nessa fase de silêncio...sem sucesso.
prefiro conter as palavras me isolar um pouco de tudo e de todos.
não quero falar, nem quero ouvir...quero simplesmente pensar...ordenar e sistematizar a minha vida de forma que eu possa, mesmo que seja em um curto intervalo de tempo, voltar a realidade.
os fatos foram fortes, o chão se perdeu assim como eu.
o mundo passou a girar ao contrário e me assusta essa busca por "tudo" novo.
a adrenalina desse momento deveria ser positiva mas não o é...o medo ainda toma as minhas horas.
me colocarm numa situação que eu nunca imaginei estar, não da maneira que foi.
concordo que as coisas mudam, o mundo gira, sentimentos adormecem e florecem na mesma velocidade em que o mundo se transforma.
entendo, sim...entendo realmente só não posso lutar nem impor a mim mesma que tudo passe na velocidade que eu gostaria.
meu corpo não corresponde aos meus pensamentos...e isso não é uma fragilidade..é uma realidade a qual eu não posso transpor.
tentei ir além dos meus limites..sem sucesso.
prefiro conter as palavras me isolar um pouco de tudo e de todos.
não quero falar, nem quero ouvir...quero simplesmente pensar...ordenar e sistematizar a minha vida de forma que eu possa, mesmo que seja em um curto intervalo de tempo, voltar a realidade.
os fatos foram fortes, o chão se perdeu assim como eu.
o mundo passou a girar ao contrário e me assusta essa busca por "tudo" novo.
a adrenalina desse momento deveria ser positiva mas não o é...o medo ainda toma as minhas horas.
me colocarm numa situação que eu nunca imaginei estar, não da maneira que foi.
concordo que as coisas mudam, o mundo gira, sentimentos adormecem e florecem na mesma velocidade em que o mundo se transforma.
entendo, sim...entendo realmente só não posso lutar nem impor a mim mesma que tudo passe na velocidade que eu gostaria.
meu corpo não corresponde aos meus pensamentos...e isso não é uma fragilidade..é uma realidade a qual eu não posso transpor.
tentei ir além dos meus limites..sem sucesso.
...desses dias loucos que tenho vivido...
sinto no corpo as marcas do cansaço e do vazio.
na mente a busca insana por algo que justifique e me faça entender...
na boca o gosto de alcool, cigarro, de fel e de nada.
das incertezas das horas...da angustia que essas mesmas horas acabem.
.
.
.
que tudo passa, é fato!
mas até quando tudo dura?
sinto no corpo as marcas do cansaço e do vazio.
na mente a busca insana por algo que justifique e me faça entender...
na boca o gosto de alcool, cigarro, de fel e de nada.
das incertezas das horas...da angustia que essas mesmas horas acabem.
.
.
.
que tudo passa, é fato!
mas até quando tudo dura?
Quando Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de não continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.Quando Ana me deixou, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos dourados e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser Lucinha da agência ou Paulo do cineclube ou Nelson de Paris ou minha mãe do Sul, convidando para jantar, para cheirar pó, para ver Nastassia Kinski nua, pergunrando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei agora a campainha vai tocar. Podia ser o porteiro entregando alguma dessas criancinhas meio monstros de edifício, que adoram apertar as campainhas alheias, depois sair correndo. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.Depois que Ana me deixou - não naquele momento exato em que estou ali parado, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência da Ana, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro da sala do apartamento, e dentro dessa bolha é que estou parado também, suspenso também, mas não luminoso, ao contrário, opaco, fosco, sem brilho e ainda vestido com um dos ternos que uso para trabalhar, apenas o nó da gravata levemente afrouxado, porque é começo de verão e o suor que escorre pelo meu corpo começa a molhar as mãos e a dissolver a tinta das letras no bilhete de Ana - depois que Ana me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe.De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.O que começou a acontecer, no meio daquele ciclo do gosto de vodca, lágrima e café, foi mesmo o gosto de vômito na minha boca. Porque no meio daquele momento entre a vodca e a lágrima, em que me arrastava da sala para o quarto, acontecia às vezes de o pequeno corredor do apartamento parecer enorme como o de um transatlântico em plena tempestade. Entre a sala e o quarto, em plena tempestade, oscilando no interior do transatlântico, eu não conseguia evitar de parar à porta do banheiro, no pequeno corredor que parecia enorme. Eu me ajoelhava com cuidado no chão, me abraçava na privada de louça amarela com muito cuidado, com tanto cuidado como se abraçasse o corpo ainda presente de Ana, guardava prudente no bolso os óculos redondos de armação vermelhinha, enfiava devagar a ponta do dedo indicador cada vez mais fundo na garganta, até que quase toda a vodca, junto com uns restos de sanduíches que comera durante o dia, porque não conseguia engolir quase mais nada, naqueles dias, e o gosto dos muitos cigarros se derramassem misturados pela boca dentro do vaso de louça amarela que não era o corpo de Ana. Vomitava e vomitava de madrugada, abandonado no meio do deserto como um santo que Deus largou em plena penitência - e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.Um pouco depois desses dias que não consigo recordar direito - nem como foram, nem quantos foram, porque deles só ficou aquele gosto de vômito, misturados, no final daquela fase, ao gosto das pizzas, que costumava perdir por telefone, principalmente nos fins-de-semana, e que amanheciam abandonadas na mesa da sala aos sábados, domingos e segundas, entre cinzeiros cheios e guardanapos onde eu não conseguia decifrar as frases que escrevera na noite anterior, e provavelmente diziam banalidades, como volta-para-mim-Ana ou eu-não-consigo-viver-sem-você, palavras meio derretidas pelas manchas do vinho, pela gordura das pizzas -, depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar Ana dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquele apartamento, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que Ana me deixou.Mandei para a lavanderia os lençóis verde-clarinhos que ainda guardavam o cheiro de Ana - e seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa -, mudei os móveis de lugar, comprei um Kutka e um Gregório, um forno microondas, fitas de vídeo, duas dúzias de copos de cristal, e comecei a trazer outras mulheres para casa. Mulheres que não eram Ana, mulheres que jamais poderiam ser Ana, mulheres que não tinham nem teriam nada a ver com Ana. Se Ana tinha os seios pequenos e duros, eu as escolhia pelos seios grandes e moles, se Ana tinha os cabelos quase louros, eu as trazia de cabelos pretos, se Ana tivesse a voz rouca eu a selecionava pelas vozes estridentes que gemiam coisas vulgares quando estávamos trepando, bem diversas das que Ana dizia ou não dizia, ela nunca dizia nada além de amor-amor ou meu-menino-querido, passando dos dedos da mão direita na minha nuca e os dedos da mão esquerda pelas minhas costas. Vieram Gina, a das calcinhas pretas, e Lilian, a dos olhos verdes frios, e Beth, das coxas grossas e pés gelados, e Marilene, que fumava demais e tinha um filho, e Mariko, a nissei que queria ser loura, e também Marta, Luiza, Creuza, Júlia, Débora, Vivian, Paula, Teresa, Luciana, Solange, Maristela, Adriana, Vera, Silvia, Neusa, Denise, Karina, Cristina, Marcia, Nadir, Aline e mais de 15 Marias, e uma por uma das garotas ousadas da Rua Augusta, com suas botinhas brancas e minissaia de couro, e destas moças que anunciam especialidades nos jornais. Eu acho que já vim aqui uma vez, alguma dizia, e eu falava não lembro, pode ser, esperando que tirasse a roupa enquanto eu bebia um pouco mais para depois tentar entrar nela, mas meu pau quase nunca obedecia, então eu afundava a cabeça nos seus peitos e choramingava babando sabe, depois que Ana me deixou eu nunca mais, e mesmo quando meu pau finalmente endurecia, depois que eu conseguia gozar seco ardido dentro dela, me enxugar com alguma toalha e expulsá-la com um cheque cinco estrelas, sem cruzar ¿ então eu me jogava de bruços na cama e pedia perdão à Ana por traí-la assim, com aquelas vagabundas. Trair Ana, que me abandonara, doía mais que ela ter me abandonado, sem se importar que eu naufragasse toda noite no enorme corredor de transatlântico daquele apartamento em plena tempestade, sem salva-vidas.Depois que Ana me deixou, muitos meses depois, veio o ciclo das anunciações, do I Ching, dos búzios, cartas de Tarot, pêndulos, vidências, números e axés ¿ ela volta, garantiam, mas ela não voltava - e veio então o ciclo das terapias de grupo, dos psicodramas, dos sonhos junguianos, workshops transacionais, e veio ainda o ciclo da humildade, com promessas à Santo Antônio, velas de sete dias, novenas de Santa Rita, donativos para as pobres criancinhas e velhinhos desamparados, e veio depois o ciclo do novo corte de cabelos, da outra armação para os óculos, guarda-roupa mais jovem, Zoomp, Mister Wonderful, musculação, alongamento, yoga, natação, tai-chi, halteres, cooper, e fui ficando tão bonito e renovado e superado e liberado e esquecido dos tempos em que Ana ainda não tinha me deixado que permiti, então, que viesse também o ciclo dos fins de semana em Búzios, Guarajá ou Monte Verde e de repente quem sabe Carla, mulher de Vicente, tão compreensiva e madura, inesperadamente, Mariana, irmã de Vicente, transponível e natural em seu fio dental metálico, por que não, afinal, o próprio Vicente, tão solícito na maneira como colocava pedras de gelo no meu escocês ou batia outra generosa carreira sobre a pedra de ágata, encostando levemente sua musculosa coxa queimada de sol e o windsurf na minha musculosa coxa também queimada de sol e windsurf. Passou-se tanto tempo depois que Ana me deixou, e eu sobrevivi, que o mundo foi se tornando ao poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades além de Ana. Ah esse mundo de agora, assim tão cheio de mulheres e homens lindos e sedutores interessantes e interessados em mim, que aprendi o jeito de também ser lindo, depois de todos os exercícios para esquecer Ana, e também posso ser sedutor com aquele charme todo especial de homem-quase-maduro-que-já-foi-marcado-por-um-grande-amor-perdido, embora tenha a delicadeza de jamais tocar no assunto. Porque nunca contei à ninguém de Ana. Nunca ninguém soube de Ana em minha vida. Nunca dividi Ana com ninguém. Nunca ninguém jamais soube de tudo isso ou aquilo que aconteceu quando e depois que Ana me deixou.Por todas essas coisas, talvez, é que nestas noites de hoje, tanto tempo depois, quando chego do trabalho por volta das oito horas da noite e, no horário de verão, pela janela da sala do apartamento ainda é possível ver restos de dourados e vermelhos por trás dos edifícios de Pinheiros, enquanto recolho os inúmeros recados, convites e propostas da secretária eletrônica, sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento - aquele. Como se quando Ana me deixou não houvesse depois, e eu permanecesse até hoje aqui parado no meio da sala do apartamento que era o nosso, com o último bilhete dela nas mãos. A gravata levemente afrouxada no pescoço, fazia e faz tanto calor que sinto o suor escorrer pelo corpo todo, descer pelo peito, pelos braços, até chegar aos pulsos e escorregar pela palma das mãos que seguram o último bilhete de Ana, dissolvendo a tinta das letras com que ela compôs palavras que se apagam aos poucos, lavadas pelo suor, mas que não consigo esquecer, por mais que o tempo passe e eu, de qualquer jeito e sem Ana, vá em frente. Palavras que dizem coisas duras, secas, simples, arrevogáveis. Que Ana me deixou, que não vai voltar nunca, que é inútil tentar encontrá-la, e finalmente, por mais que eu me debata, que isso é para sempre. Para sempre então, agora, me sinto uma bolha opaca de sabão, suspensa ali no centro da sala do apartamento, à espera de que entre um vento súbito pela janela aberta para levá-la dali, essa bolha estúpida, ou que alguém espete nela um alfinete, para que de repente estoure nesse ar azulado que mais parece o interior de um aquário, e desapareça sem deixar marcas...
CAIO FERNANDO ABREU : texto: SOBRE ANA BLUES
CAIO FERNANDO ABREU : texto: SOBRE ANA BLUES
A tristeza ronda os meus dias, as minhas horas.
Uma sensação estranha que me foge pelos dedos e que me aperta a alma.
Pensei ter passado desse estágio com honras ao mérito, mas vejo que não posso esconder de mim mesma sentimentos que ainda latejam em mim.
Sinto..é fato...a sua falta.
Sinto esse vazio, essa sensação de estar se sentido oca..como se me faltasse um pedaço vital.
A essa altura, depois de alguns dias e prestes a completar o segundo mês, não imaginei que esse sentir ainda fosse tanto.
Me questiono as vezes, se sou eu a errada, se somente eu sinto as coisas...porque de vc não vejo a menor demonstração de nada...é como se tivesses me apagado da sua vida como quem formata um HDD.
Será?
Que triste isso!
Mas enfim, quem foi que disse que relacionamento comungam de sentimentos com as mesmas intensidadades?
lágrimas hoje, fatalmente virão...e me lavarão a alma e o coração.
Uma sensação estranha que me foge pelos dedos e que me aperta a alma.
Pensei ter passado desse estágio com honras ao mérito, mas vejo que não posso esconder de mim mesma sentimentos que ainda latejam em mim.
Sinto..é fato...a sua falta.
Sinto esse vazio, essa sensação de estar se sentido oca..como se me faltasse um pedaço vital.
A essa altura, depois de alguns dias e prestes a completar o segundo mês, não imaginei que esse sentir ainda fosse tanto.
Me questiono as vezes, se sou eu a errada, se somente eu sinto as coisas...porque de vc não vejo a menor demonstração de nada...é como se tivesses me apagado da sua vida como quem formata um HDD.
Será?
Que triste isso!
Mas enfim, quem foi que disse que relacionamento comungam de sentimentos com as mesmas intensidadades?
lágrimas hoje, fatalmente virão...e me lavarão a alma e o coração.
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